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Abril Azul: sobre entender a vida sem precisar de palavras 



Leandro foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível dois ainda bebê. Entenda um pouco do que é o Autismo a partir sua história e perceptiva de família. 

O mês de abril ganhou a cor azul em 2007, quando a ONU (Organização das Nações Unidas) institui o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, comemorando no dia 2. Aqui no Brasil, a data foi oficializada pela Lei 13.652/2018 com o mesmo objetivo.

A conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) acontece não só por meio da informação qualificada, mas também do conviver, de maneira inclusiva, com pessoas diagnosticadas com essa condição. Por isso, o objetivo desta matéria é contribuir para que os leitores se aproximem dessa realidade conhecendo a história do Leandro, adolescente talentoso e inspirador.

O autismo é diagnosticado em três níveis conforme a 5ª edição do Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria. O nível 2 de suporte, conhecido como moderado, é quando a pessoa necessita de apoio em algumas atividades diárias, como comer, trocar de roupa, tomar anho, fazer as demais atividades.

Independente do diagnóstico, que ele seja feliz

Quando Leandro, hoje com 15 anos, começou a frequentar a creche, seu pais logo receberam um alerta da escola dizendo que menino não estava interagindo da mesma maneiras que as outras crianças.

Assim, começaram as idas e vindas em médicos especializados. Foram dois anos de investigação com pediatras, fonoaudiólogos, neurologista e outros até receberem o diagnóstico de TEA nível dois, não-verbal.


“A princípio você não entende bem o que é. Eu fiquei com muito medo de ser alguma coisa degenerativa. Eu e meu marido ficamos nos perguntando o que fazer? Chegamos a conclusão de que gente não sabia ainda. Mas, que íamos fazer de tudo para que ele fosse muito feliz, independente do diagnóstico. É o que fazemos todos os dias das nossas vidas. Tudo para ele ser feliz” conta a Cris.

Nessa época, ele ainda era um bebê com cerca de um ano e meio. O casal Edmilson Silva e Cristalina Vieira se encontraram numa situação inesperada, em que não compreendiam o que era o Autismo e tiveram que aprender na prática.

E mesmo depois do conhecimento adquiridos pela convivência, os dois estão constantemente aprendendo algo diferente com o Leandro


Dos pequenos cuidados quase imperceptíveis, aos talentos incríveis

É verdade que a rotina de cuidados de uma pessoa Autista pode ser desafiante. O Leandro, por exemplo, é metódico e às vezes pode se fixar em determinados itens e ações como colecionar cabides de chinelo que tenham o número quatro gravado, tomar uma marca específica de refrigerante ou comprar o mesmo brinquedo todo fim de semana.

Por outro lado, o jovem é muito amoroso, habilidoso com os desenhos, inteligente, gosta de passear e acabou por decorar todas as linhas metrô de São Paulo. Esta sempre surpreendendo sua família. Seja ao cobrir a barriga da mãe com um cobertor ou pular o anúncio que interrompe o desenho do seu irmão mais novo. Atitudes que a um primeiro olhar não parecem ser especiais, mas para os pais demostram o quanto o filho é atencioso.


“Ás vezes a gente pensa assim, aí tem Autismo, não se importa com muita coisa, não presta atenção. E muito pelo contrário, ele parece prestar bem atenção nas coisas né? Ele é cuidadoso” afirma a Cris. Quando deu à luz ao Nicolas, seu segundo filho, conta que no começo Leandro sentia ciúmes e precisou de um tempo para se adaptar. Edimilson também afirma que foi só um período difícil, mas que agora ele cuida bem do irmãozinho. “

A família tem costume de fazer quase tudo juntos. Adoram ir ao parque, danças, visitar parentes em Minas Gerais. São momentos como esses, quando estão reunidos, que nascem grande aprendizados.

“Eu aprendi a entender muita coisa sem precisar de palavras. A ter paciência, a me colocar no lugar do outro. Aprendi o que é amor maior do mundo”, expressa ela sobre sua experiência em ser mãe do Leandro.

A segunda casa do Leandro


Cristalina conheceu o Instituto Gabi, enquanto trabalhava como designer de sobrancelhas. A cliente que estava atendendo no dia, era psicóloga e indicou a ONG. Logo seu filho estava frequentando o Gabi.

Na época, Cris estava enfrentando o desafio de matricular o Leandro em uma escola. Além da falta de estrutura das instituições de ensino, quando a mãe comentava sobre a condição filho as pessoas mudavam o comportamento na hora.

“O Leandro não era aceito por escolas e eu não estava legal. Foi uma coisa que me deprimiu muito, uma situação muito complicada psicologicamente. Fiquei Abalada. O Gabi foi o lugar que acolheu o meu filho, nos acolheu. A gente foi muito bem acolhida, e é até hoje, isso não tem preço” conta ela.

O Edmilson também fala sobre a diferença que o Gabi fez na rotina da família e no desenvolvimento do Leandro. “Ele aprendeu muito a interagir mais.Hoje o Gabi é, na verdade, é a segunda casa do Leandro. Gosta muito de ir para lá”.

“SAIA DA CAIXINHA, CONSCIENTIZE-SE”

Na sua casa, Leandro é sempre bem compreendido, mas estar fora desse ambiente seguro é assustador. Nem todo mundo entende as caraterísticas do comportamento de uma pessoa com Autismo e afirmam que é “birra” e “má educação”.

“Grande parte da sociedade ainda não sabe o que é o autismo. E só com a conscientização haverá menos discriminação e mais empatia” aponta Cris.

Leandro pode não falar, mas em seus atos ele mostrar que sente e se importa intensamente. Mas, esse tipo de aprendizado só é notado quando olhamos para além do superficial.

Visando maior conscientização e integração de portadores do Autismo na sociedade, o Instituto Gabi fará diversas atividades. Fique de olho durante o mês!

Por Nayra Teles, estudante de jornalismo e voluntária do Instituto Gabi

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